1982, ferida aberta.
Não, hoje não falarei do título corinthiano na Taça Libertadores. Afinal, em 5 de julho de 1982, a Itália vencia o Brasil, por 3 a 2, na Copa da Espanha.
São exatos 30 anos da tragédia do Sarriá. Muita tinta já foi usada para falar do triunfo italiano; ou da derrota do futebol-arte brasileiro.
Hoje, 30 anos depois, com exceção do surgimento de alguns valores individuais, não há mais futebol-arte por aqui. Enquanto isso, ironia das ironias, espanhóis e até alemães (!!!) buscam implementar um futebol mais alegre, ofensivo e vistoso.
O que passo a escrever, certamente, é lugar comum, mas a grande verdade é que, após aquele "crime" contra o futebol-arte, foi possível perceber, ao longo dos anos, como nossa derrota foi maléfica para o futebol.
No Brasil, após as Copas de 82 e 86, grassou a ideia, oriunda de certos "treineiros" (não dá pra chamá-los de técnicos, tampouco treinadores), de que o futebol deve ser eficiente, prezando apenas os resultados, por isso mesmo com viés defensivo. Com essa filosofia, fomos campeões mundiais em 1994. Ah, alguém se lembra, saudosamente ou com emoção, da seleção de 94? Muitos nem sabem sua escalação de cor. Já a escalação de 1982, para mim, é inesquecível.
Sim. A ferida de 1982 está lá, aberta, para quem quiser ver. E isso é bom. Significa que, por mais que certos "treineiros" tentem, não nos esquecemos das nossas origens. Do nosso estilo. Do jeito brasileiro de jogar futebol. Como artistas da bola. Não nos esquecemos do Friedenreich, do Fausto, do Leônidas, do Ademir Menezes, do Nilton Santos, do Didi, do Tostão, do Gérson, do Riva, do Garrincha e do Pelé. E não nos esquecemos de Waldir Peres, Leandro, Oscar, Luizinho e Júnior; Cerezo, Falcão, Sócrates, Zico, S. Chulapa e Éder. E de Telê Santana, verdadeiro técnico. Todos estes jamais serão esquecidos. Nem deixarão de ser admirados.
E se há tanta admiração, por que não tentar reencontrar nosso estilo de jogar futebol? Por que não utilizar zagueiros e meias que saibam jogar, sem se limitar a marcar o adversário? Por que não incutir em nossas escolinhas e divisões de base um estilo ofensivo, alegre, dando preferência à escolha das crianças pelo talento apresentado, e não pelo porte fisico ou altura? Por que não utilizar nosso antigo jogo de passes curtos, com a chegada de vários jogadores para prestar apoio à jogada? Por que não dar liberdade para os laterais atacarem, juntos, se quiserem? Por que não ter pontas, com constante inversão de posições com meias e laterais?
Muitos falarão: o Barcelona fez (e faz) isso. Os zagueiros sabem jogar e saem pro jogo. Há constante troca de posições. Nas escolinhas do Barça, tem prioridade o mais talentoso, e não o mais forte. Exemplo é o Messi. Essa filosofia não tem dado resultado?
Não espero, nem desejo, que copiemos a filosofia dos catalães. Temos nossa identidade própria, mas temos que incentivá-la, redescobrí-la. Assim, retornará o futeol-arte.
Hoje, vendo os jogos do Campeonato Brasileiro, me sinto assistindo ao Campeonato Inglês: muita força física, jogadores altos e muitos cruzamentos na área. É o reflexo da mentalidade dos nossos "treineiros". A imaginação, ali, anda escassa...
Para concluir este "texto-desabafo" em homenagem ao escrete canarinho de 1982: nunca esquecerei daquele timaço! Dos gols do Zico, dos passes do Sócrates, da classe do Falcão, das investidas do Júnior, das patadas do Éder, das trombadas do Serginho... Mas, acima de tudo, nunca esquecerei do futebol-arte, do jeito brasileiro de jogar futebol, que as gerações mais novas nunca viram. Saudades!!
Cá entre nós: prefiro perder, como em 1982, do que ganhar, jogando como em 1994.
Voa, canarinho, voa!!
quinta-feira, 5 de julho de 2012
segunda-feira, 2 de julho de 2012
SEÇÃO "SEIS OU MEIA DÚZIA" nº 1
Aqui no blog Futebol Antigo, toda terça-feira será o dia de abertura das enquetes da seção "seis ou meia dúzia".
Nessa seção, conforme explicado na apresentação do blog, serão feitas enquetes para que todos participem respondendo quem foi o melhor entre dois jogadores selecionados. Por questão de método, somente serão comparados jogadores que não atuam mais.
E a "seis ou meia dúzia" dessa semana é uma homenagem a um grande amigo do futebol de mesa: o Tritu, fã inveterado do Müller. Então, nossa enquete dessa semana é: quem foi melhor? Bebeto ou Muller? Segue abaixo um pequeno histórico dos atletas sob análise.
José Roberto Gama de Oliveira, mais conhecido como Bebeto, nasceu em Salvador, Bahia, em 16 de fevereiro de 1964. Atacante leve e ágil, despontou em 1982, no Vitória.
No ano seguinte já iria para o Flamengo. Naquele mesmo ano Zico se transferiu para a Udinese, e o rubro-negro amargou um duro período sem títulos nacionais. Em 1987, com Zico novamente jogando pelo clube carioca, o jovem jogador baiano, autor do gol do titulo brasileiro, caiu de vez nas graças da torcida. Em 95 jogos pelo Flamengo, fez 41 gols, contando seu retorno ao clube, no final de sua carreira.
Em 1989 transferiu-se para o Vasco da Gama, em uma turbulenta negociação. No cruzmaltino, Bebeto foi Campeão Brasileiro em 1989. Em 1992, ano em que, apesar de brilhante campanha, o Vasco não foi campeão brasileiro, Bebeto, pela primeira vez, foi artilheiro do torneio. No total, de 61 jogos pelo Vasco da Gama, fez 30 gols.
Seu desempenho naquele ano despertou o interesse do La Coruña, equipe espanhola. Na Espanha, foi artilheiro da temporada 92/93, com 29 gols. É o maior artilheiro do clube. Em 131 partidas pelo time galego, fez 86 gols.
Pela seleção, teve grandes atuações, principalmente ao lado de Romário. Ficou famoso seu gol em homenagem ao filho, Matheus, em partida contra a Holanda, na Copa de 94. Esteve com a seleção nas Copas de 90, 94 e 98. Em 88 jogos vestindo a amarelinha, fez 52 gols, uma ótima marca.
Números: 3 vezes campeão brasileiro, 2 vezes campeão carioca, campeão do mundo em 1994, campeão da Copa América em 1989, etc. 7 vezes artilheiro de competições.
Por sua vez, Luiz Antônio Corrêa da Costa, o Müller, nasceu em Campo Grande, Mato Grosso do Sul, em 31 de janeiro de 1966. Atacante decisivo, fez história principalmente no São Paulo FC, time no qual consagrou-se bicampeão mundial de clubes, em 1992 e 1993. Também teve ótimas participações na seleção brasileira.
Müller iniciou profissionalmente sua carreira no São Paulo, em 1984. Em 1985 integrou a jovem equipe tricolor chamada de "Menudos do Morumbi", do técnico Cilinho. Pelo São Paulo obteve suas maiores alegrias, sendo bicampeão da Taça Libertadores e do Mundial de Clubes. Fez 121 partidas pelo tricolor, com 49 gols.
Jogou ainda pelo Palmeiras, no "ataque dos 100 gols", equipe dirigida por Vanderlei Luxemburgo e que contava com Djalminha, Luizão, Rivaldo, Roberto Carlos, entre outras estrelas. No Verdão, em 69 jogos fez 28 gols.
Também jogou por equipes italianas, e no Brasil por Cruzeiro, Santos, entre outras, sempre se destacando por seus passes precisos e gols decisivos.
Pela seleção brasileira, jogou 3 copas do mundo: 1986, 1990 e 1994. Jogou 59 partidas pelo escrete canarinho e fez 12 gols.
Foi 5 vezes campeão paulista, 2 vezes campeão brasileiro, 2 vezes campeão da Taça Libertadores e do Mundial de Clubes. Foi campeão do mundo em 1994, entre outros. Foi, ainda, artilheiro do Campeonato Brasileiro de 1987.
Curiosidade: é irmão do vascaíno Cocada, carrasco do Flamengo no carioca de 1988.
E aí, pra você, quem foi o melhor? Vote na enquete, no lado direito da página!
Aqui no blog Futebol Antigo, toda terça-feira será o dia de abertura das enquetes da seção "seis ou meia dúzia".
Nessa seção, conforme explicado na apresentação do blog, serão feitas enquetes para que todos participem respondendo quem foi o melhor entre dois jogadores selecionados. Por questão de método, somente serão comparados jogadores que não atuam mais.
E a "seis ou meia dúzia" dessa semana é uma homenagem a um grande amigo do futebol de mesa: o Tritu, fã inveterado do Müller. Então, nossa enquete dessa semana é: quem foi melhor? Bebeto ou Muller? Segue abaixo um pequeno histórico dos atletas sob análise.
José Roberto Gama de Oliveira, mais conhecido como Bebeto, nasceu em Salvador, Bahia, em 16 de fevereiro de 1964. Atacante leve e ágil, despontou em 1982, no Vitória.
No ano seguinte já iria para o Flamengo. Naquele mesmo ano Zico se transferiu para a Udinese, e o rubro-negro amargou um duro período sem títulos nacionais. Em 1987, com Zico novamente jogando pelo clube carioca, o jovem jogador baiano, autor do gol do titulo brasileiro, caiu de vez nas graças da torcida. Em 95 jogos pelo Flamengo, fez 41 gols, contando seu retorno ao clube, no final de sua carreira.
Em 1989 transferiu-se para o Vasco da Gama, em uma turbulenta negociação. No cruzmaltino, Bebeto foi Campeão Brasileiro em 1989. Em 1992, ano em que, apesar de brilhante campanha, o Vasco não foi campeão brasileiro, Bebeto, pela primeira vez, foi artilheiro do torneio. No total, de 61 jogos pelo Vasco da Gama, fez 30 gols.
Seu desempenho naquele ano despertou o interesse do La Coruña, equipe espanhola. Na Espanha, foi artilheiro da temporada 92/93, com 29 gols. É o maior artilheiro do clube. Em 131 partidas pelo time galego, fez 86 gols.
Pela seleção, teve grandes atuações, principalmente ao lado de Romário. Ficou famoso seu gol em homenagem ao filho, Matheus, em partida contra a Holanda, na Copa de 94. Esteve com a seleção nas Copas de 90, 94 e 98. Em 88 jogos vestindo a amarelinha, fez 52 gols, uma ótima marca.
Números: 3 vezes campeão brasileiro, 2 vezes campeão carioca, campeão do mundo em 1994, campeão da Copa América em 1989, etc. 7 vezes artilheiro de competições.
Por sua vez, Luiz Antônio Corrêa da Costa, o Müller, nasceu em Campo Grande, Mato Grosso do Sul, em 31 de janeiro de 1966. Atacante decisivo, fez história principalmente no São Paulo FC, time no qual consagrou-se bicampeão mundial de clubes, em 1992 e 1993. Também teve ótimas participações na seleção brasileira.
Müller iniciou profissionalmente sua carreira no São Paulo, em 1984. Em 1985 integrou a jovem equipe tricolor chamada de "Menudos do Morumbi", do técnico Cilinho. Pelo São Paulo obteve suas maiores alegrias, sendo bicampeão da Taça Libertadores e do Mundial de Clubes. Fez 121 partidas pelo tricolor, com 49 gols.
Jogou ainda pelo Palmeiras, no "ataque dos 100 gols", equipe dirigida por Vanderlei Luxemburgo e que contava com Djalminha, Luizão, Rivaldo, Roberto Carlos, entre outras estrelas. No Verdão, em 69 jogos fez 28 gols.
Também jogou por equipes italianas, e no Brasil por Cruzeiro, Santos, entre outras, sempre se destacando por seus passes precisos e gols decisivos.
Pela seleção brasileira, jogou 3 copas do mundo: 1986, 1990 e 1994. Jogou 59 partidas pelo escrete canarinho e fez 12 gols.
Foi 5 vezes campeão paulista, 2 vezes campeão brasileiro, 2 vezes campeão da Taça Libertadores e do Mundial de Clubes. Foi campeão do mundo em 1994, entre outros. Foi, ainda, artilheiro do Campeonato Brasileiro de 1987.
Curiosidade: é irmão do vascaíno Cocada, carrasco do Flamengo no carioca de 1988.
E aí, pra você, quem foi o melhor? Vote na enquete, no lado direito da página!
domingo, 1 de julho de 2012
APRESENTAÇÃO
Bons domingos, amigos leitores!
Hoje iniciam-se as atividades do "Futebol Antigo", o mais novo blog sobre nosso amado esporte bretão.
Neste espaço, obviamente, quase sempre falaremos de futebol. Porém, excepcionalmente, teremos pinceladas sobre o futebol de mesa, pois este autor é um botonista inveterado! Poderão, ainda, surgir textos sobre outros assuntos, mas quase sempre relacionados com o futebol, sejam de cunho cultural, histórico, político, etc.
Quanto ao nome dado ao blog, tenho que admitir: sou um romântico, em termos futebolísticos. Vocês rapidamente perceberão isso, por meio das opiniões transmitidas neste espaço. Muitos fatos e personagens esquecidos de nosso futebol serão lembrados, sempre com um olhar romântico, mas equilibrado. Ou, ao menos, tentando ser equilibrado...
Teremos no blog algumas seções fixas, além dos artigos escritos por este autor.
Na seção "História Romântica do Futebol Brasileiro", falaremos dos principais personagens históricos do nosso futebol. Detalhes da vida de cada um serão relatados, somados às grandes atuações em campo, estatísticas e números.
Já na seção "E se...?", brincaremos um pouco com a história do futebol para, "alterando" certos resultados ou outros eventos, imaginarmos quais seriam as consequências das "mudanças" sugeridas.
A seção "Por que comigo?" cuidará de personagens que, folclóricos ou não, pelos infortúnios da vida, ficaram marcados, seja por uma grande derrota, seja por uma falha individual inesquecível. Aquele gol perdido na cara do gol, o pênalti cometido pelo zagueiro no jogo decisivo, serão aqui analisados, além das consequências na vida dos protagonistas.
Por fim, na seção "Seis ou meia dúzia?", serão formuladas várias enquetes, comparando dois jogadores, com um breve histórico de cada um. Quem foi o melhor? Entretanto, mais do que apenas marcar o favorito, se quiserem, os leitores poderão, além de sugerir outras enquetes, opinar sobre as qualidades dos atletas comparados.
Peço a participação de todos! Este blog será sempre um espaço democrático e as críticas e opiniões serão muito bem vindas!
Muito obrigado e sejam bem vindos,
Bruno.
Bons domingos, amigos leitores!
Hoje iniciam-se as atividades do "Futebol Antigo", o mais novo blog sobre nosso amado esporte bretão.
Neste espaço, obviamente, quase sempre falaremos de futebol. Porém, excepcionalmente, teremos pinceladas sobre o futebol de mesa, pois este autor é um botonista inveterado! Poderão, ainda, surgir textos sobre outros assuntos, mas quase sempre relacionados com o futebol, sejam de cunho cultural, histórico, político, etc.
Quanto ao nome dado ao blog, tenho que admitir: sou um romântico, em termos futebolísticos. Vocês rapidamente perceberão isso, por meio das opiniões transmitidas neste espaço. Muitos fatos e personagens esquecidos de nosso futebol serão lembrados, sempre com um olhar romântico, mas equilibrado. Ou, ao menos, tentando ser equilibrado...
Teremos no blog algumas seções fixas, além dos artigos escritos por este autor.
Na seção "História Romântica do Futebol Brasileiro", falaremos dos principais personagens históricos do nosso futebol. Detalhes da vida de cada um serão relatados, somados às grandes atuações em campo, estatísticas e números.
Já na seção "E se...?", brincaremos um pouco com a história do futebol para, "alterando" certos resultados ou outros eventos, imaginarmos quais seriam as consequências das "mudanças" sugeridas.
A seção "Por que comigo?" cuidará de personagens que, folclóricos ou não, pelos infortúnios da vida, ficaram marcados, seja por uma grande derrota, seja por uma falha individual inesquecível. Aquele gol perdido na cara do gol, o pênalti cometido pelo zagueiro no jogo decisivo, serão aqui analisados, além das consequências na vida dos protagonistas.
Por fim, na seção "Seis ou meia dúzia?", serão formuladas várias enquetes, comparando dois jogadores, com um breve histórico de cada um. Quem foi o melhor? Entretanto, mais do que apenas marcar o favorito, se quiserem, os leitores poderão, além de sugerir outras enquetes, opinar sobre as qualidades dos atletas comparados.
Peço a participação de todos! Este blog será sempre um espaço democrático e as críticas e opiniões serão muito bem vindas!
Muito obrigado e sejam bem vindos,
Bruno.
Assinar:
Postagens (Atom)